De acordo com a “International Health Racquet & Sportsclub Association”, entidade que reúne profissionais do setor de exercícios físicos ao redor do mundo, o Brasil é o segundo país com o maior número de academias do planeta. Com o crescente número de usuários frequentando o mesmo local e compartilhando a mesma estrutura, surgem questões relacionadas à higienização.
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Publicado na revista científica “Journal of Human Environment and Health Promotion”, o artigo “Academias de ginástica, quão seguros estão esses ambientes?”, do professor da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de fora (UFJF), André Luiz Alvim, em parceria com as alunas do oitavo período do curso, Bianca Ananias e Daniela Batista, busca alertar a população sobre a limpeza e a desinfecção, com foco na segurança desses ambientes de uso coletivo.
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“Uma coisa interessante é que nós somos da enfermagem. E o que a enfermagem tem a ver com algo que todo mundo acha que é da educação física? A enfermagem trabalha com prevenção e controle de infecção, com qualidade de vida. E todos estes aspectos são encontrados na academia. Prevenção e controle de infecção é trabalhar com o invisível. Os microorganismos a gente não vê. Então, como que a gente trabalha e conscientiza as pessoas em relação ao invisível? Por isso, observamos que o tema é muito menosprezado”, explica Alvim.
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Pesquisa
Para o artigo, foi realizada uma pesquisa de campo em duas academias de Juiz de Fora, uma pública e outra privada, que passaram por um estudo detalhado a partir da inspeção de equipamentos de alta rotatividade de uso e toque.
No total, o estudo contou com 120 avaliações, sendo 48 inspeções visuais, 48 testes de proteína (sujeira) e 28 testes pelo método de fluorescência.
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De acordo com Bianca e Daniela, as inspeções visuais já detectavam a sujeira dos aparelhos das academias avaliadas.
“Para entendermos a dinâmica de cada academia, fizemos a planta do local. Assim, conseguimos ter a visualização de onde ficava o dispenser de álcool em gel e a distância dele para os aparelhos”, explica Daniela.
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Como resultado, foi possível detectar que as academias possuíam somente um dispenser com álcool 70% e não havia toalhas para higienização.
Entre os equipamentos que mais apresentaram presença de sujeira, destacaram-se barra de agachamento, halter de 8 kg, hack e leg press.
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Entre os que deram positivos na fluorescência, leg press, halter de 8kg e voador. A presença de sujidades visíveis foi verificada em 95,8% da academia pública e 33,3% na academia privada.
Com isso, conforme o estudo, entende-se que a limpeza e a desinfecção nas academias avaliadas foram inadequadas, precisando ser aprimoradas para reduzir riscos de contaminação entre os usuários.
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“A academia precisa ter uma frequência para fazer a limpeza e a desinfecção das superfícies, incluindo chão, parede, banheiro e, principalmente, os aparelhos de malhar. O volume de pessoas que frequentam o local é muito alto e, por isso mesmo, é importante esta periodicidade. A academia precisa também fornecer insumos necessários para a higienização pelos usuários.”
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Como prevenir?
De acordo com Alvim, entre as maneiras de prevenir e evitar o contágio entre os usuários, estão o fornecimento, pela academia, de insumos para higienização das mãos (como álcool 70%), água, sabão e papel toalha.
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Além disso, é indicado que cada usuário leve sua própria toalha para colocar sobre a superfície onde vai encostar, a fim de reduzir os riscos de transmissão.
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Saiba Mais:
A falta de higienização adequada nas academias pode ter sérios impactos na saúde pública. Esses locais são frequentados por um grande número de pessoas que utilizam os mesmos equipamentos, criando um ambiente propício para a disseminação de microrganismos patogênicos.
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Bactérias, vírus e fungos podem sobreviver em superfícies de equipamentos por longos períodos, aumentando o risco de infecções cutâneas, respiratórias e gastrointestinais.
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Entre as doenças comuns estão infecções por Staphylococcus aureus (MRSA), que podem causar infecções cutâneas graves, gripes e resfriados, transmitidos através de superfícies contaminadas, e infecções fúngicas, como a Tinea pedis (pé de atleta), que se espalham em vestiários e áreas de banho.
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Comparar as práticas de higienização em academias brasileiras com as de outros países pode fornecer insights valiosos. Em muitos países desenvolvidos, há regulamentações rigorosas e práticas padrão para manter a higiene em ambientes de fitness.
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Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas academias adotam protocolos rigorosos de limpeza e desinfecção, disponibilizando produtos de limpeza para uso dos frequentadores e realizando inspeções regulares de saúde e segurança.
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No Japão, as academias são conhecidas pela disciplina na limpeza, com frequentadores incentivados a limpar os equipamentos antes e depois de usá-los. A conscientização sobre a importância da higiene pessoal é alta.
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Na Europa, vários países possuem regulamentações específicas que exigem a manutenção de altos padrões de higiene, além de orientações claras aos usuários sobre práticas de limpeza e desinfecção.
Essas práticas contrastam com a realidade brasileira, onde muitas academias ainda carecem de protocolos claros e fiscalização adequada.
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A educação dos frequentadores sobre a importância da higiene é crucial para melhorar a segurança nas academias. Campanhas de conscientização podem ser implementadas para ensinar os usuários sobre práticas de limpeza e desinfecção.
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Utilizar cartazes, folhetos e mídias sociais para disseminar informações sobre a importância da higienização e as melhores práticas a serem seguidas é uma estratégia eficaz.
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Oferecer sessões regulares de treinamento para os funcionários das academias sobre técnicas de limpeza adequadas e a importância da manutenção da higiene também é fundamental.
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Além disso, implementar sistemas de recompensa para usuários que aderem às práticas de higiene, como fornecer toalhas ou produtos de limpeza gratuitos, pode incentivar um comportamento mais consciente.
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Mensagens-chave para conscientização incluem o uso de toalhas pessoais sobre os equipamentos, a importância de lavar as mãos antes e depois do exercício, e a instrução para limpar os equipamentos antes e depois de usá-los com produtos fornecidos pela academia.
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Implementar essas estratégias de educação e conscientização pode ajudar a criar uma cultura de higiene e responsabilidade, reduzindo assim os riscos de contaminação e promovendo um ambiente mais seguro para todos os frequentadores.
A discussão sobre os perigos invisíveis das academias de ginástica revela a necessidade de uma abordagem multifacetada para melhorar a segurança nesses ambientes.
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Compreender o impacto na saúde pública, aprender com comparações internacionais e investir na educação e conscientização dos usuários são passos fundamentais para mitigar os riscos de infecções e garantir que as academias sejam espaços saudáveis e seguros para todos.
Algumas Informações: Portal UFJF Notícias
Direitos Autorais Imagem de Capa: Carolina de Paula/UFJF/ Divulgação
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