Outra pesquisa descobriu que o uso de cannabis pode afetar negativamente o desenvolvimento do cérebro do feto.
Bebês ainda não nascidos expostos à cannabis através das mães podem sofrer maior agressividade aos 5 anos de idade, além de outros impactos adversos no seu desenvolvimento, de acordo com novo estudo publicado na revista médica JAMA Pediatrics, em 28 de outubro.
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Os pesquisadores estudaram dados de 355 mulheres grávidas que planejavam dar à luz no The Ohio State University Wexner Medical Center, nos Estados Unidos. Cinco anos depois, contataram as famílias para coletar dados adicionais.
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Das 250 crianças que participaram do estudo, 80 delas foram expostas à cannabis durante o estágio pré-natal. “O uso de tabaco, álcool e outras drogas durante a gravidez era comum. A maioria das famílias vivia na pobreza”, informou o estudo.
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O resultado é que as crianças expostas apresentaram menor capacidade de planejamento baseado em tarefas e maior agressividade. Espera-se que essas características afetem o sucesso acadêmico das crianças a longo prazo, afirmou a pesquisa.
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A pesquisadora principal, Sarah Keim, observou que, embora a cannabis seja um produto natural, a substância apresenta “muitos riscos” durante a gravidez. Algumas mulheres podem recorrer à substância para lidar com os desafios enfrentados durante a gravidez, como estresse, problemas de sono e náusea.
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No entanto, “isso não é recomendado”, disse Keim, ao aconselhar as mulheres grávidas a consultar um profissional de saúde para encontrar opções mais seguras para lidar com tais problemas. “Nossas descobertas não foram surpreendentes – elas, na verdade, confirmam e expandem evidências de longa data de pesquisas anteriores”, acrescentou.
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Vários estudos apontam os danos causados pela cannabis tanto em mulheres grávidas quanto em seus bebês. Um estudo de julho descobriu que o uso pré-natal de maconha estava ligado a uma maior probabilidade de desenvolver hipertensão induzida pela gravidez e pré-eclâmpsia. Os pesquisadores também identificaram um risco 19% maior de que a placenta nessas mulheres se separasse do útero.
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“À medida que continuamos a aprender sobre os potenciais danos e benefícios do uso pré-natal de cannabis, os médicos devem fornecer cuidados e educação coordenados e não estigmatizantes para apoiar as gestantes na tomada de decisões informadas sobre o uso de cannabis”, disseram os autores do estudo.
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Outro estudo, de julho de 2023, descobriu que o uso de cannabis pode afetar negativamente o desenvolvimento do cérebro do feto e provavelmente dificultar o crescimento saudável dos testículos em bebês do sexo masculino.
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Pesquisadores examinaram os efeitos da cannabis em fetos usando camundongos. A exposição fetal reduziu a capacidade do córtex pré-frontal dos animais de ser prontamente despertado para a ação. O córtex pré-frontal é crucial para o aprendizado. Entre as crias femininas, deficiências cognitivas foram detectadas.
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Mecanismos de Ação da Cannabis no Cérebro Fetal
O cérebro fetal passa por um intenso desenvolvimento durante a gravidez, e a exposição a substâncias externas pode interferir nesse processo. A cannabis, especialmente seu principal composto psicoativo, o tetraidrocanabinol (THC), age diretamente no sistema endocanabinoide, um conjunto de receptores e neurotransmissores que regulam funções como o humor, o apetite e o sono.
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Esse sistema também é fundamental para o desenvolvimento do cérebro, influenciando a formação de circuitos neuronais e o funcionamento de áreas cerebrais essenciais.
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Quando uma gestante consome cannabis, o THC atravessa a barreira placentária, alcançando o cérebro do feto e interagindo com receptores CB1 e CB2 presentes em áreas críticas como o córtex pré-frontal. Estudos mostram que o THC pode afetar a neurogênese e a sinaptogênese – processos essenciais para o desenvolvimento e a comunicação entre neurônios.
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Em camundongos, a exposição ao THC fetal foi associada à redução da capacidade de resposta do córtex pré-frontal, área responsável por habilidades de planejamento, controle de impulsos e aprendizado.
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Como resultado, essas alterações podem predispor as crianças a problemas comportamentais e cognitivos, impactando seu desempenho escolar e social ao longo da vida.
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Comparação com Outros Estudos
A relação entre o uso de substâncias psicoativas na gravidez e o desenvolvimento fetal não é exclusiva da cannabis. Estudos sobre álcool e tabaco também apontam para efeitos adversos significativos.
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No caso do álcool, por exemplo, a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é bem documentada, causando deficiências cognitivas e comportamentais severas em crianças expostas durante a gestação. O álcool interfere em múltiplas vias de desenvolvimento cerebral, podendo causar danos irreversíveis em áreas como o hipocampo e o córtex.
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O tabaco, por outro lado, está associado a baixo peso ao nascer e aumenta o risco de problemas respiratórios e de desenvolvimento neurológico. Os efeitos adversos da exposição ao tabaco se devem, em parte, à nicotina, que também atravessa a barreira placentária e interfere nos neurotransmissores em desenvolvimento.
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Embora os efeitos da cannabis sejam distintos dos causados por álcool e tabaco, todos esses estudos indicam que substâncias psicoativas podem alterar o desenvolvimento neural e fisiológico de forma negativa. Uma diferença importante é que, enquanto os impactos do álcool e do tabaco são amplamente reconhecidos, os da cannabis ainda são alvo de controvérsias e pesquisas.
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Alguns estudos até indicam que o uso moderado da cannabis para fins medicinais em adultos apresenta poucos efeitos colaterais, mas o impacto no feto é consideravelmente mais arriscado devido à vulnerabilidade do cérebro em desenvolvimento.
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Conclusão
Os estudos mais recentes sobre o uso de cannabis durante a gravidez reforçam a importância de cautela e recomendam alternativas mais seguras para o alívio de sintomas, como estresse e náuseas.
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A interação do THC com o sistema endocanabinoide em um estágio tão inicial do desenvolvimento pode ter consequências duradouras, comprometendo funções cognitivas e comportamentais das crianças.
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Comparado a outras substâncias psicoativas como o álcool e o tabaco, a cannabis apresenta riscos próprios e ainda pouco compreendidos, com efeitos que parecem afetar especialmente o desenvolvimento do córtex pré-frontal e habilidades de controle comportamental.
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Diante dessas evidências, a comunidade médica e científica incentiva políticas de saúde pública para conscientizar gestantes sobre esses riscos. É essencial fornecer um suporte acessível e não estigmatizante para as gestantes, oferecendo alternativas eficazes e seguras para lidar com os desafios da gravidez sem recorrer à cannabis.
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Algumas Informações: Portal Estado de Minas
Direitos Autorais Imagem de Capa: PIXABAY/REPRODUÇÃO
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