A Roche divulgou resultados da primeira fase dos estudos clínicos do CT-996, comprimido para tratar diabetes e obesidade.
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A empresa farmacêutica Roche anunciou nessa quarta-feira (17/7) resultados positivos da primeira fase dos estudos clínicos do CT-996, um comprimido oral diário destinado ao tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.
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De acordo com o laboratório, aqueles que receberam o remédio ao longo de quatro semanas apresentaram uma perda de 6,1% do peso em comparação com o grupo placebo.
O CT-996 é um agonista do GLP-1, pertencente à mesma classe de medicamentos da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, e da tirzepatida, presente no Mounjaro.
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No entanto, ao contrário desses fármacos, que são injetáveis e já aprovados para diabetes e obesidade pelas agências reguladoras, o CT-996 é um comprimido oral.
A obesidade é um dos desafios de saúde mais urgentes no mundo, uma vez que é responsável por extensas comorbidades, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hepáticas e renais crônicas.
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“Estamos satisfeitos em ver a perda de peso clinicamente significativa em pessoas tratadas com nossa terapia oral GLP-1 CT-996, que poderá eventualmente ajudar os pacientes a lidar com as indicações de controle de peso crônico e controle glicêmico”, diz o diretor médico da Roche e chefe de Desenvolvimento de Produto Global da farmacêutica, Levi Garraway, em comunicado.
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Medicamento em teste
O laboratório também divulgou resultados positivos de outro medicamento em testes, o CT-388, um agonista do GLP-1 injetável. Ao longo de um período de 24 semanas, aproximadamente seis meses, a aplicação semanal do CT-388 resultou em uma perda de peso média de 18,8%.
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“Esta é a segunda leitura positiva em menos de três meses dos nossos medicamentos metabólicos, que incluem opções orais e injetáveis para atender às necessidades dos pacientes em um espectro de doenças”, afirma Garraway.
Os dados completos da fase 1 dos estudos com o comprimido oral serão apresentados em um congresso médico, diz a Roche.
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De acordo com o comunicado, o o medicamento foi bem tolerado, apresentando efeitos colaterais leves ou moderados gastrointestinais. Os resultados também mostraram que os níveis do CT-996 no sangue não foram afetados durante o jejum ou após uma refeição com alto teor de gordura.
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Dessa forma, o CT-996 poderia potencialmente ser dosado independente do horário das refeições, proporcionando assim maior flexibilidade de dosagem para os pacientes.
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“Com base nos dados do estudo, espera-se que o CT-996 seja usado não apenas como uma terapia para alcançar o controle glicêmico e induzir a perda de peso, mas também potencialmente como uma forma oral de manutenção de peso após o emagrecimento induzido por injetáveis”, observaram.
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Por ser ainda um estudo de fase 1, o levantamento contou com um grupo reduzido de aproximadamente 100 participantes, focando principalmente na segurança e tolerabilidade do medicamento.
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A eficácia será avaliada de forma mais abrangente nas fases posteriores. Com os resultados positivos, a farmacêutica anunciou que avançará com o comprimido para a segunda fase dos testes clínicos.
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Leia Também:
Ozempic e Rybelsus: comprimido de semaglutida funciona?
Embora tenham o mesmo princípio ativo, remédios apresentam diferenças entre eles, especialmente em seu uso off-label para controle de peso.
O Ozempic foi desenvolvido para tratar a diabetes, mas passou a ser usado “off-label” por seus efeitos emagrecedores.
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Fabricante do medicamento, o laboratório Novo Nordisk tem um outro remédio chamado Rybelsus, que também tem a semaglutida como princípio ativo.
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Enquanto o Ozempic é aplicado semanalmente com uma caneta injetável, o Rybelsus é administrado via oral com comprimido e deve ser tomado diariamente em jejum. Embora os dois remédios funcionem igualmente para o tratamento da diabetes, quando o assunto é o controle de peso, os resultados são diferentes.
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“Os estudos científicos que temos mostram uma equivalência, mas os testes foram feitos para comparar o uso para diabetes. Com a experiência em consultório, acompanhando pacientes para emagrecimento, a gente nota que o Rybelsus não gera uma perda de peso tão acentuada”, aponta a endocrinologista Michele Borba, da Clínica Delaborba de Brasília.
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A hipótese para explicar isso seria a própria maneira de aplicar o remédio, sendo infetado na própria gordura da barriga o Ozempic agiria diretamente sobre o tecido adiposo.
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As doses de Ozempic para um mês de aplicações custam aproximadamente R$ 1 mil. Já o Rybelsus possui diferentes miligramas, indo de R$ 500 o mês na menor dose (3 mg) a R$ 1 mil nas maiores (14 mg).
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Em uma nota de março deste ano, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) se posicionou a favor do uso do Ozempic para emagrecimento, mas ressaltou que não se pode confundir um objetivo estético com os casos em que a saúde dos pacientes está ameaçada pelo excesso de peso.
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Para as médicas entrevistadas pelo Metrópoles, o uso sem orientação médica levou a uma intensa propaganda dos efeitos do Ozempic, sejam eles positivos ou negativos.
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“Muitos pacientes que tem a indicação médica do emagrecimento e que estão sendo acompanhados acabam ficando com medo de tomar o Ozempic, mas é uma medicação bastante segura e que reduz os riscos das muitas doenças associadas à obesidade”, aponta a endocrinologista Daniela Gebrim, da Clínica SIM, também de Brasília.
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Efeitos colaterais
Os efeitos colaterais mais comuns – náuseas, vômitos e diarreias – acabaram criando um medo entre os pacientes do uso da versão injetável da semaglutida.
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A adoção do Rybelsus, no entanto, não afasta a possibilidade de o paciente sentir esses sintomas e, na verdade, pode até aumentá-los. Os comprimidos podem agir de maneira ainda mais forte no sistema gástrico.
“Entre os pacientes que usam o Rybelsus é mais comum a queixa em relação a náuseas e desconfortos de digestão, até por ter uma ação local e em jejum, que o torna mais perceptível”, afirma Michele.
Ambas as médicas ressaltam que a recomendação por um ou outro tratamento será feita com base nas rotinas dos pacientes e no objetivo que se espera alcançar e que, antes de tudo, é preciso ter a recomendação clínica e a real necessidade do tratamento.
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Nota da empresa Novo Nordisk
Sobre medicamentos GLP1 em comprimidos para tratamento de diabetes tipo 2 com redução de peso
A Novo Nordisk, líder global em saúde, esclarece que já existe uma apresentação em comprimido para administração oral da semaglutida, Rybelsus®, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2. O medicamento está disponível no Brasil desde março de 2022 e se destaca por promover o controle glicêmico associado a perda de peso e redução significativa no risco de eventos cardiovasculares. 1,2,3
A semaglutida é um análogo do GLP-1, é só foi possível o uso oral com a tecnologia SNAC, uma inovação que impede o medicamento de se quebrar ao entrar em contato com o ácido gástrico do estômago e não ser absorvida. Com a adição do SNAC à semaglutida, a absorção é intensificada através de uma maior interação com a membrana celular gástrica, sem
comprometimento da integridade e eficácia de Rybelsus®.
Rybelsus® está disponível em comprimidos, nas doses de 3mg, para início de tratamento e nas doses de 7mg e 14mg para manutenção. As duas formulações de semaglutida para tratamento do diabetes tipo 2 (injetável, com nome comercial Ozempic® e oral, denominada Rybelsus®) foram investigadas em uma ampla gama de pacientes com a doença e são apropriadas para esses pacientes.3-13 A semaglutida em comprimidos dispensa refrigeração.
A Novo Nordisk não endossa ou promove utilização de seus medicamentos fora do que está aprovado em bula ou sem prescrição médica. Há também estudos em andamento de semaglutida em comprimido para o tratamento de sobrepeso e obesidade em pessoas sem diabetes tipo 2, porém ainda sem resultados divulgados.
Sobre a Novo Nordisk
Novo Nordisk é uma empresa líder global em saúde, fundada em 1923 e com sede na Dinamarca. Nosso propósito é impulsionar mudanças para derrotar doenças crônicas graves, inspirados pela nossa história centenária relacionada ao diabetes. Fazemos isso sendo pioneiros em descobertas científicas, expandindo acesso aos nossos medicamentos e trabalhando para prevenir e, até mesmo, curar doenças. A Novo Nordisk emprega mais de 64 mil pessoas em 80 países e comercializa seus produtos em cerca de 170 nações. No
Brasil desde 1990, a empresa conta atualmente com mais de 2 mil funcionários. Está presente em três estados, com um escritório administrativo em São Paulo (SP), um centro de distribuição em São José dos Pinhais (PR) e um site produtivo em Montes Claros (MG), reconhecido como a maior fábrica de insulinas do Brasil e América Latina. Para mais informações, visite www.novonordisk.com.br e siga nossos perfis oficiais nas redes sociais Instagram, Facebook, LinkedIn e YouTube.
Referências
1. Pratley RE, Aroda VR, Lingvay I, et al. Semaglutide once weekly versus dulaglutide once weekly in patients with type 2 diabetes (SUSTAIN 7): a randomised, open-label, phase 3b trial. The Lancet Diabetes & Endocrinology. 2018..
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7. Rodbard H, Lingvay I, Reed S, et al. Efficacy and safety of semaglutide once-weekly vs placebo as add-on to basal insulin alone or in combination with metformin in subjects with type 2 diabetes (SUSTAIN 5). Abstract number 766. European Association for the Study of Diabetes 52nd Annual Meeting (EASD), Munich, Germany; 12-16 September 2016.
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14. Knop FK, Aroda VR, do Vale RD, Holst-Hansen T, Laursen PN, Rosenstock J, Rubino DM, Garvey WT; OASIS 1 Investigators. Oral semaglutide 50 mg taken once per day in adults with overweight or obesity (OASIS 1): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial. Lancet. 2023 Aug 26;402(10403):705-719. doi: 10.1016/S0140-6736(23)01185-6. Epub 2023 Jun 26. PMID: 37385278.
Algumas Informações: Portal Metrópoles
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