Uma pesquisa de pós-graduação de Arqueologia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) investiga o sepultamento da criança indígena Nimu Borum, que ocorreu entre 600 e 1300 anos atrás. O corpo que é alvo de análise foi encontrado em 2004 no sítio arqueológico Lapa do Caboclo, na cidade de Diamantina (MG) – município localizado a cerca de 295 quilômetros de Belo Horizonte (MG).
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De acordo com a universidade, a criança foi sepultada com os ossos pintados de vermelho e embrulhados em uma casca de árvore. Nimu Borum está no Museu de História Natural e Jardim Botânico da instituição de ensino e sobreviveu a um incêndio que atingiu o acervo em 2020. O estudo que analisa a ossada é de autoria da pesquisadora indígena Bibi Nhatarâmiak Borun-Kren.
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De acordo com a universidade, a criança foi sepultada com os ossos pintados de vermelho e embrulhados em uma casca de árvore. Nimu Borum está no Museu de História Natural e Jardim Botânico da instituição de ensino e sobreviveu a um incêndio que atingiu o acervo em 2020. O estudo que analisa a ossada é de autoria da pesquisadora indígena Bibi Nhatarâmiak Borun-Kren.
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De acordo com a UFMG, não se sabe se a terra que toma parte do objeto já estava presente no sepultamento ou se ocupou tal espaço com o tempo, revirando parte dos ossos. Conforme a instituição de ensino, por ser um exemplar único, Nimu Borum revela detalhes que ainda não eram conhecidos pela arqueologia brasileira.
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“Aquilo que, na ciência, a gente chama de análise, eu gosto de chamar de conversa, porque os ossos falam bastantes coisas”, afirmou Bibi Nhatarâmiak sobre as pesquisas acerca de Nimu Borum. Segundo a bioarqueóloga, a tomografia foi colocada em prática para que fosse possível entender a disposição dos ossos dentro da estrutura em que a criança foi sepultada.
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De acordo com a pesquisadora, o fato dela ser uma mulher indígena atribui uma premissa de “trabalho descolonial” às análises de Nimu Borum. “Eu não consigo separar da minha pesquisa e do meu ser que os esqueletos são pessoas, crianças”, ponderou Bibi, acrescentando que, durante pesquisas arqueológicas, os corpos de pessoas pretas e indígenas tendem a se tornar “materialidade”.
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As análises de tomografia de Nimu Borum possibilitam que sejam observadas possíveis fraturas, doenças e marcas de crescimento nos ossos da criança.
Contexto Histórico e Cultural
O sepultamento de Nimu Borum, uma criança indígena que viveu entre 600 e 1300 anos atrás, carrega profundas implicações sobre as práticas culturais e espirituais dos povos indígenas no Brasil pré-colonial.
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A escolha de sepultar a criança em uma casca de árvore pode ser interpretada como um gesto de profundo simbolismo. Árvores, em muitas culturas indígenas, estão associadas ao ciclo da vida, à natureza e ao renascimento.
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Elas representam o elo entre a terra e o céu, tornando o ato de enterrar alguém em um envoltório de casca um possível símbolo de retorno à mãe-terra, ou mesmo uma tentativa de preservar o corpo para um futuro espiritual.
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Esse tipo de sepultamento reflete a importância que as comunidades indígenas da época davam aos seus mortos, especialmente às crianças. A utilização de materiais orgânicos, como casca de árvore, couro e palha, evidencia uma conexão com os recursos naturais ao redor e o respeito por eles em rituais sagrados.
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Práticas funerárias desse tipo também são uma janela para o modo como essas sociedades compreendiam a morte e a continuidade da vida, oferecendo à arqueologia não apenas dados materiais, mas também um vislumbre das crenças espirituais desses povos.
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A Importância do Estudo Descolonial
A presença de uma arqueóloga indígena, Bibi Nhatarâmiak Borun-Kren, liderando a pesquisa sobre Nimu Borum traz uma dimensão decolonial essencial para a arqueologia. Historicamente, a arqueologia no Brasil, como em muitas partes do mundo, foi conduzida principalmente por cientistas de fora das comunidades indígenas, e muitas vezes de uma perspectiva eurocêntrica.
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Essa abordagem tende a tratar os restos humanos e artefatos de culturas nativas como objetos de estudo puramente científicos, desconsiderando seus significados culturais e espirituais.
A pesquisa de Bibi representa uma ruptura com essa abordagem, já que ela traz à tona uma sensibilidade que reconhece os esqueletos como mais do que materiais de estudo.
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Em vez de enxergar ossos como apenas evidências biológicas, ela os considera como remanescentes de pessoas que viveram, amaram e morreram, conectando sua investigação científica a uma ética de respeito ancestral.
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A presença de uma mulher indígena conduzindo essa pesquisa oferece uma nova perspectiva, onde a história indígena não é apenas estudada, mas também narrada por quem tem uma ligação direta com essa herança.
Bioarqueologia e o Estudo de Ossos
A bioarqueologia, ramo da arqueologia que estuda restos humanos, desempenha um papel vital na compreensão de populações antigas.
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Ao analisar os ossos de Nimu Borum, os cientistas podem obter informações valiosas sobre a vida da criança, suas condições de saúde, e até mesmo aspectos da sociedade em que ela viveu. Através de técnicas como a tomografia e a fotogrametria, é possível identificar fraturas, doenças, marcas de crescimento e outras características que revelam a experiência física da criança.
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Os ossos não apenas nos informam sobre a biologia do indivíduo, mas também sobre o ambiente em que viveu. Por exemplo, marcas de desgaste nos dentes podem sugerir o tipo de alimentação que a criança teve, e possíveis fraturas podem indicar a existência de acidentes ou conflitos.
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O estudo desses detalhes contribui para a construção de uma narrativa mais ampla sobre a vida cotidiana, a saúde e as práticas culturais das populações indígenas pré-históricas.
Além disso, a bioarqueologia permite que os arqueólogos reconheçam padrões sociais e econômicos, como desigualdades, variações de dieta entre classes sociais, e tratamentos distintos entre diferentes grupos etários e de gênero. No caso de Nimu Borum, a análise da disposição dos ossos e o contexto de seu sepultamento podem revelar detalhes sobre as práticas funerárias e o status social da criança.
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Conclusão
A pesquisa sobre Nimu Borum revela muito mais do que o sepultamento de uma criança indígena; ela é uma chave para entender aspectos profundos da vida, morte e cultura dos povos indígenas que viveram no Brasil há séculos.
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O contexto histórico-cultural, marcado por práticas funerárias ricas em simbolismo, nos conecta à visão de mundo desses povos, enquanto a abordagem descolonial, trazida por uma arqueóloga indígena, reconfigura como vemos o passado, integrando respeito e sensibilidade à análise científica.
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Por fim, a bioarqueologia permite que os ossos contem suas histórias: eles nos falam de uma criança, de sua saúde, de seu ambiente e das pessoas que a cercavam. Juntas, essas perspectivas constroem um quadro mais amplo e complexo da arqueologia brasileira, valorizando não apenas os dados materiais, mas também as vozes e narrativas que foram historicamente silenciadas.
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Essa pesquisa não só amplia nosso entendimento sobre o passado, mas também oferece uma oportunidade de refletir sobre como tratamos as histórias e os legados das culturas originárias, integrando ciência e respeito aos povos indígenas.
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Algumas Informações: Portal Revista Planeta
Direitos Autorais Imagem de Capa: Divulgação/Andrei Isnardis/UFMG
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