Um novo vídeo registrado por câmeras de segurança mostra o estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, dando um tapa no retrovisor de uma viatura da Polícia Militar de SP momentos antes de ser morto, na madrugada da quarta-feira (20 de novembro). (Veja o vídeo no final da matéria)
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Após ser seguido pelos agentes da PM até o interior de um hotel onde estava hospedado, na Zona Sul de São Paulo, o universitário foi alvo de um tiro à queima-roupa disparado por um deles.

Foto: Reprodução Redes Sociais
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A família do jovem alega que ele foi executado pelos policiais e questiona a reação dos agentes à atitude de Marco Aurélio.
"A vida de um ser humano vale um retrovisor de um policial? A Polícia Militar de SP está matando por um retrovisor?", questionou a médica Silvia Mônica Cardenas Prado, mãe do estudante.
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Os familiares cobraram respostas sobre as circunstâncias da morte às autoridades estaduais.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se manifestou sobre o caso e afirmou que essa “não é a conduta que a polícia do Estado de São Paulo deve ter com nenhum cidadão, sob nenhuma circunstância. [...] Abusos nunca vão ser tolerados e serão severamente punidos".

Foto: Reprodução Redes Sociais
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“Caiu olhando para mim”: a cronologia da morte de estudante pela PM
“Ele me fez reconhecer quem eu sou”, revelou a jovem que estava junto com o estudante Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, quando ele foi baleado à queima-roupa por um policial militar dentro de um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Gabi Morena, como é conhecida Gabriele, de 21, relatou ao Metrópoles como foi o dia da morte de Marco.
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A jovem estava em um bar com suas amigas quando viu o estudante, também conhecido como “Bilau” e Boy da VM, passar com seus amigos. Há dois anos sendo “mais do que amigos”, eles costumavam se encontrar e sair juntos com frequência.
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No dia em que Marco foi baleado, Gabriele notou que ele estava bêbado. “Quando ele bebia, eu não gostava de ficar perto dele, porque ele ficava diferente, não ficava agressivo, ele não era uma pessoa ruim. Mas ele ficava diferente, e eu sentia”, admitiu. Ela contou que o estudante gostava muito de beber gin. “Ele só bebia gin, ele não bebia mais nada, ele não usava drogas. Foi só isso que ele tomou nesse dia”, revelou.
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Ela contou que voltou para sua casa por volta de 1h e mandou mensagem para Marco, perguntando se ele ainda estava na rua. O estudante havia chamado Gabriele para ir ao Hotel Flor da Vila Mariana, local onde o jovem foi morto pelo PM. Segundo ela, os dois costumavam frequentar o estabelecimento, tanto que o recepcionista nem pedia mais o documento deles. Eles marcaram de se encontrar ainda naquela madrugada, por volta de 2h. Gabriele pediu um carro de aplicativo, e eles foram para lá.
Veja a conversa:

Foto: Reprodução
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“Quando chegamos lá, a gente pagou uma hora e subiu. Só que ele estava falando umas asneiras para mim, estava me tratando com certo desrespeito”, explicou Gabriele sobre o motivo pelo qual tentou sair do quarto do hotel (veja abaixo). “Ele jogou o travesseiro do hotel pela janela. Quando ele foi tentar jogar minha garrafinha de água, eu peguei o celular para gravar, e ele parou. Nessa hora, eu tentei abrir a porta de novo, e ele me deu um empurrão”, revelou.
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“A agressão que tanto falam é esse empurrão. Mas não tem nada a ver com a nossa discussão. Sim, ele me empurrou, eu tive que falar isso porque eu tive que falar exatamente o que aconteceu para eu [querer] sair do quarto”, relatou. Foi nesse momento que Gabriele decidiu que ia embora sem Marco.
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Ao sair do quarto, a jovem decidiu se esconder na recepção enquanto esperava seu carro de aplicativo chegar. “Eu pensei comigo mesma: ‘Eu conheço a peça, se eu for embora com ele, ele vai o caminho inteiro resmungando no meu ouvido’”, ponderou. Segundo ela, a ideia era esperar ele sair do hotel, entrar no carro e ir embora para casa.
Escondida, ela não chegou a ver o momento em que Marco pulou a escada (veja abaixo), mas o ouviu descendo. “Quando eu falo que ele é travesso, eu falo disso. Ele não é um criminoso por isso”, disse.
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No momento em que Marco saiu do hotel, ele mandou uma mensagem para Gabriele, questionando o porquê de ela ter ido embora daquele jeito. Ele não sabia que a amiga ainda estava escondida dentro do estabelecimento quando enviou o texto. “Eu só fui ver essa mensagem depois que o cara já tinha atirado nele. Eu acho que ele tentou entrar para me avisar, mas não deu tempo”, disse.
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A última vez que Marco Aurélio Cardenas Acosta havia aberto seu WhatsApp foi às 2h48. Ele foi morto por volta das 2h50.
Veja a última mensagem que Gabriele recebeu de Marco:

Foto: Reprodução
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O tiro
“Foi tudo muito rápido”, falou Gabriele sobre a sequência de eventos. Ela lembra de ver Marco “se defendendo, tentando”, mas ele estava encurralado. Ela lembra de ouvir os agentes da Polícia Militar falando que Marco era “louco” por bater na viatura (veja abaixo). Ela estava gritando, pedindo para os policiais pararem, quando o recepcionista a puxou para o lado. “Eu ouvi o barulho do disparo em menos de 5 segundos. Foi algo que traumatizou a minha vida”, revelou.
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“Eu tirei ele [recepcionista] da frente e vi ele [Marco] caindo lentamente, olhando para mim. É algo que nunca vai sair da minha cabeça. Ele olhava para mim, ele não chorava, ele não esboçava nada, ele só me olhava”, contou Gabriele. “Em menos de 2 minutos, ele [policial] baleou uma pessoa que era tudo para mim.”
A jovem foi colocada em um quarto, onde teve que ficar “presa” até o socorro chegar. Segundo Gabriele, a ambulância demorou. “Levaram o meu menino a troco de nada”, lamentou ela.
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Gabi foi com Marco na ambulância. De acordo com ela, “negaram colocar o oxigênio nele porque ele estava se debatendo, mas não quiseram prender ele na maca e não estancaram o machucado”. A jovem foi embora do hospital achando que o estudante ia apenas fazer uma cirurgia e ia sobreviver.
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“Eu fiquei sabendo que ele morreu pela boca de quem atirou, horas depois de ele ter morrido”, contou Gabriele. Ela explicou que teve que perguntar aos policiais como estava sendo a cirurgia. “Ele falou: ‘[o Marco] Faleceu’, como se só eu não soubesse.”
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O principal desejo da jovem neste momento era voltar no tempo. “Eu daria tudo para não ter saído de casa nesse dia, para não ter discutido com ele, para não ter ido embora”, disse.
“Eu nunca vou esquecer a carinha dele me olhando. Eu queria muito ter ajudado ele, eu queria muito poder voltar no tempo, teria deixado ele me xingar bêbado mesmo, mas eu não ia ter perdido o meu menino”, desabafou Gabi. “Ele não deve estar feliz comigo por eu estar péssima e destruída. Um pedaço de mim foi com ele. Eu daria tudo para ele estar aqui de volta.”
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Pedido de ajuda
Às 2h59, Gabriele mandou mensagem para a cunhada de Marco Aurélio. “Você já deve me conhecer”, diz a jovem, começando o relato do que havia acontecido. Ela afirma ter levado o estudante para o hospital e ligado para o irmão dele, Frank Cardenas, após Marco Aurélio levar o tiro.
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Gabriele faz um apelo para a família “pegar a câmera” do hotel, indicando que o circuito interno do estabelecimento registrou o acontecido. “Ele estava completamente indefeso, não revidou. Vá atrás do direito de vocês”, disse, em lágrimas.
Ela ainda escreve que “o de bigodinho”, referindo-se ao policial que efetuou o disparo, já havia enquadrado Marco Aurélio anteriormente. “Acho que marcou a cara dele.”
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Estudante de medicina morto pela PM
Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, morreu após levar um tiro à queima-roupa de um policial militar durante uma abordagem dentro do hotel na Vila Mariana.
Uma câmera de segurança do estabelecimento registrou a ação. Pelas imagens (assista abaixo), é possível ver o momento em que Marco Aurélio entra correndo no hotel. Ele está sem camisa. O soldado da PM Guilherme Augusto também entra, logo em seguida, e puxa o jovem pelo braço, com a arma em punho.
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O estudante consegue se desvencilhar, quando outro policial, o soldado Bruno Carvalho do Prado, aparece e lhe dá um chute. O jovem segura o pé do PM, que se desequilibra e cai para trás. Nesse momento, o PM Augusto dá um tiro em Marco Aurélio.
No boletim de ocorrência (B.O.), os PMs alegaram que Marco Aurélio Cardenas estaria “bastante alterado e agressivo” e teria resistido à abordagem policial. Além disso, o documento aponta que, “em determinado momento, [Marco Aurélio] tentou subtrair a arma de fogo que o soldado Prado portava, quando então o soldado Augusto efetuou um único disparo, a fim de impedi-lo”.
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As imagens do circuito interno do hotel mostram, no entanto, que o PM Augusto atirou após o soldado Prado dar um chute no estudante, ter a perna segurada por ele e cair para trás, desequilibrado. No vídeo (assista acima), não é possível ver Marco Aurélio tentando pegar a arma do agente – ao contrário do que foi narrado na delegacia.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), antes do momento registrado no hotel, o estudante “golpeou a viatura policial e tentou fugir”. A pasta também informou que os PMs prestaram depoimento, foram indiciados em inquérito e permanecerão afastados das atividades operacionais até a conclusão das apurações – as polícias Militar e Civil apuram o caso.
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Além disso, a SSP afirmou que as imagens registradas pelas câmeras corporais serão anexadas aos inquéritos conduzidos pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), apesar de a informação não constar oficialmente no boletim de ocorrência.
Veja o vídeo:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Algumas informações: Terra Brasil / Metropoles
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