Com riqueza de detalhes, idosa relata à polícia o desenrolar dos acontecimentos e a descoberta do triplo homicídio cometido pelo neto de 14 anos em Itaperuna.
O depoimento da avó do adolescente de 14 anos, que confessou ter assassinado os próprios pais e o irmão caçula, revela a tentativa do neto de encobrir o crime com uma história cuidadosamente construída — e o momento doloroso em que a verdade veio à tona.

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Segundo as palavras da avó, o jovem chegou até ela com uma explicação aparentemente plausível para o desaparecimento da família. Disse que o irmãozinho teria quebrado um copo na cozinha e, mais tarde, passou mal durante a madrugada. Segundo o relato, a criança teria acordado vomitando sangue e comida, assustando os pais. A versão incluía detalhes que davam veracidade à narrativa: o nervosismo dos pais, a pressa em juntar roupas e objetos pessoais, a decisão de não dirigirem, e a suposta chamada de um carro para levá-los a um hospital em Itaperuna.
“Assim, oi vó, o meu pai e minha mãe saíram ontem à noite...”, começa o adolescente, com naturalidade. Ele descreve a cena como quem revive um episódio comum de emergência familiar. Relata que a mãe separou roupas e travesseiros, que viu o pai no celular e que os dois saíram pelo portão pequeno. Disse, então, ter deduzido que foram em busca de socorro para o irmão.
Preocupada, a avó procurou por notícias em hospitais, mas nada encontrou. Ao ser orientada, foi até a delegacia para registrar o desaparecimento. Durante a visita da polícia à residência da família, câmeras da rua foram verificadas, mas não mostraram qualquer saída pelo portão mencionado pelo menino.
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A desconfiança aumentou. No dia seguinte, a própria inspetora responsável pelo caso retornou à casa. Junto com os policiais, decidiram inspecionar o interior do imóvel. Foi quando encontraram as primeiras pistas concretas: manchas de sangue sobre a cama. Em seguida, ao erguerem o colchão, depararam-se com uma grande quantidade de sangue, confirmando que algo grave havia ocorrido ali.
Diante da pressão dos agentes e do avanço da investigação, o adolescente que até então sustentava a mentira, não resistiu. Confessou, com frieza, que havia matado os pais e o irmão — e que ocultara os corpos na cisterna dos fundos da casa.
O relato da avó é carregado de dor, perplexidade e incredulidade. Mostra como o neto conseguiu enganá-la inicialmente, com uma frieza incompatível com a idade. O choque maior veio ao perceber que aquele garoto, que ela ajudou a criar, era o autor de tamanha tragédia familiar.
Veja o vídeo:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Mais do que uma simples confissão, esse caso escancara questões profundas: o acesso de menores a armas dentro de casa, a influência de conteúdos virtuais violentos, o isolamento emocional, e a ausência de sinais claros que poderiam ter alertado a família antes que fosse tarde demais.
O Brasil, diante dessa barbárie, precisa refletir. A fala da avó não é só um depoimento — é um grito silencioso de dor, uma súplica por respostas e uma lembrança de que, por trás de estatísticas, existem famílias destruídas, vidas interrompidas e traumas que jamais serão apagados.
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