A pesquisadora Michele Prado, uma das principais especialistas brasileiras no combate à radicalização online, tem alertado sobre a crescente presença de grupos extremistas em plataformas como Discord, Telegram e outras redes sociais.
Esses grupos vão além dos incels, abordando temas como misoginia, antissemitismo e misantropia, e têm atraído jovens entre 10 e 25 anos, conforme relatado pelos próprios participantes desses espaços.
Prado destaca que o processo de radicalização é contínuo e diário, sendo facilitado por técnicas de convencimento utilizadas por esses grupos para disseminar ideias extremistas.
Ela observa que, atualmente, não é necessário buscar ativamente por esse tipo de conteúdo, pois ele chega facilmente ao alcance das pessoas por meio das redes sociais.
Um fenômeno preocupante identificado por Prado é o extremismo "salad bar", no qual indivíduos combinam elementos de diferentes ideologias extremistas, criando uma mistura personalizada de crenças radicais.
Ela também chama a atenção para a monetização desses conteúdos, que contribui para a disseminação e o alcance dessas ideias.
As subculturas online são comunidades e grupos formados em torno de interesses, estéticas, valores ou comportamentos específicos que se desenvolvem e vivem principalmente na internet.
Elas mudam com o tempo, mas aqui está uma lista abrangente das principais subculturas online conhecidas até hoje:
1. Subculturas de Estilo de Vida e Estética
- E-girls / E-boys – Moda alternativa inspirada em anime, TikTok e cultura emo.
- VSCO girls – Estilo baseado em sustentabilidade, uso de scrunchies, Hydro Flask e um look "praiano".
- Cottagecore – Estética rural romântica, com foco na vida simples e na natureza.
- Dark Academia / Light Academia – Estilo intelectual e nostálgico, centrado em literatura clássica e arte.
- Goth / Cyber Goth / Nu-Goth – Foco em roupas escuras, estética sombria e música gótica.
- Y2K – Nostalgia dos anos 2000, com moda brilhante, tecnologia retrô e ícones pop.
- Kidcore – Cores vibrantes e temas infantis inspirados nos anos 90/2000.
- Fairycore / Angelcore / Dreamcore / Weirdcore – Estéticas surreais, fantasiosas ou oníricas.
2. Subculturas Baseadas em Tecnologia e Habilidades
- Hackers / White hats / Black hats / Grey hats
- Gamers – Desde jogadores casuais até comunidades específicas como speedrunners ou jogadores de MMORPG.
- Otakus / Weebs – Fãs hardcore de anime, mangá e cultura japonesa.
- Techbros / Crypto Bros / Web3 Enthusiasts – Envolvidos com blockchain, criptomoedas, NFTs, etc.
- Grinders / Self-improvement bros – Foco em produtividade, hábitos, finanças e corpo.
3. Subculturas Baseadas em Humor e Ironia
- Shitposters – Criadores de conteúdo propositalmente absurdo ou de baixa qualidade.
- Doomers / Bloomers / Zoomers / Doomer girls – Tipos de arquétipos online, geralmente com base em ironia e pessimismo.
- Edgelords – Pessoas que fazem comentários extremos ou provocativos para chocar.
4. Subculturas de Nicho
- Furries – Pessoas que se identificam ou gostam de personagens antropomórficos com trajes.
- Bronies – Adultos fãs de “My Little Pony”.
- Scalies / Otherkin / Therian – Pessoas que acreditam ter conexão espiritual ou pessoal com animais ou seres míticos.
- ASMRtists – Criadores e fãs de vídeos ASMR.
5. Subculturas Políticas e Filosóficas
- Anarcocapitalistas / Libertários / Tankies / Marxistas-Leninistas / Aceleracionistas
- Incels / MGTOW / Redpill / Blackpill – Comunidades sobre masculinidade, muitas vezes com visões misóginas.
- Feministas Radicais / TERFs / Sex-positive Feminists
- Tradwives / Alt-right / Alt-lite – Grupos que defendem valores "tradicionais" com estética vintage.
6. Subculturas de Conteúdo
- Stan Twitter / Stan culture – Fãs extremamente dedicados a artistas ou celebridades.
- K-pop Stans – Fãs intensos de grupos coreanos, geralmente organizados e engajados.
- Fanfics / Fanart / Fandoms – Comunidades criativas que produzem obras derivadas.
- Booktok / Booktube / Bookstagram – Comunidades literárias em diferentes plataformas.
7. Subculturas de Plataformas
- Redditors – Membros ativos da cultura e gírias do Reddit.
- Tumblr users – Comunidade conhecida por humor sarcástico, fandoms e identidades alternativas.
- 4chan users / /b/ /pol/ – Cultura anônima, caótica e muitas vezes controversa.
- Discord communities – Servidores com suas próprias regras e culturas.
A série da Netflix "Adolescência" retrata de forma ficcional a influência de comunidades online extremistas na radicalização de jovens.
A trama acompanha Jamie Miller, um garoto de 13 anos acusado de assassinar uma colega de classe, e explora como ele foi impactado por subculturas como a incel.
A série tem sido elogiada por sua abordagem realista e por estimular reflexões sobre os riscos da radicalização juvenil.
Prado ressalta que muitos pais só percebem o envolvimento de seus filhos com essas comunidades quando já é tarde demais, muitas vezes após a intervenção das autoridades.
Ela enfatiza a importância de uma vigilância ativa e de políticas públicas eficazes para prevenir a radicalização e proteger os jovens desses ambientes nocivos.
"ADOLESCÊNCIA" NA NETFLIX: A SÉRIE QUE EXPÕE OS DESAFIOS (E DESESPEROS) DA GERAÇÃO DIGITAL
Produção acerta ao retratar a angústia dos pais diante de um mundo que não conseguem mais controlar — e a solidão dos jovens em meio a likes, bullying e identidades fraturadas.
O ESPELHO DOLORIDO DA GERAÇÃO Z
A nova série "Adolescência", sucesso instantâneo da Netflix, vai muito além do drama teen: ela crava o dedo na ferida de dois universos em colisão.
De um lado, pais da geração X (hoje na casa dos 50) que ainda acreditam em diálogo e regras claras.
Do outro, adolescentes imersos em um ecossistema digital onde autoestima, identidade e sobrevivência social são definidos por algoritmos, exposição virtual e uma pressão por perfeição inalcançável.
O QUE TORNA A SÉRIE TÃO POTENTE?
✔ Bullying 3.0: As cenas de humilhação escolar não ficam restritas à sala de aula — migram para grupos de WhatsApp, vídeos virais e julgamentos coletivos online.
✔ Pais Perdidos: A série mostra adultos bem-intencionados "tentando proibir celulares" enquanto seus filhos navegam em dark webs e desafios perigosos sem que eles saibam.
✔ A Ilusão do Controle: A cena em que uma mãe descobre que a filha de 13 anos tem um perfil "fake" só para fugir da sua vigilância é um soco no estômago.
O FOSSO GERACIONAL EM CENA
Enquanto os pais da trama brigam para limitar telas, os jovens encaram a vida offline como um "castigo arcaico".
A série expõe:
- A hipocrisia dos adultos (que também são viciados em redes, mas não admitem).
- A solidão dos adolescentes, que mesmo hiperconectados, se sentem incompreendidos.
- O fracasso das "conversas sinceras", quando os códigos de comunicação são planetas distantes.
POR QUE ISSO ASSUSTA (E CATIVA)?
A força de "Adolescência" está em não oferecer respostas fáceis.
Não há vilões óbvios — só um sistema onde pais, escolas e plataformas digitais falham juntos.
A mensagem subliminar é clara:
"Não adianta proibir o TikTok se você não entende por que seu filho prefere likes a abraços."
O DEBATE QUE VEIO PARA FICAR
A série já inflama discussões:
🔴 Escolas deveriam monitorar redes sociais de alunos?
🔴 Pais devem ter senhas dos perfis dos filhos até que idade?
🔴 Como competir com a dopamina dos algoritmos?
ASSISTIR OU NÃO?
Se você é pai/mãe, prepare-se para reconhecer seus próprios erros na tela.
Se é jovem, talvez se veja mais compreendido aqui do que em casa.
E se acha que "no meu tempo era mais difícil", a série prova: o desafio atual é outro planeta.
Veja o vídeo:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Já viu? Concorda que a série acerta em retratar esse abismo geracional?
(Disponível na Netflix. Direção: Carla Mendonça. Elenco com jovens estreantes e pais interpretados por nomes como Marco Ricca e Tatiana Tiburcio.)
Fonte: Uol.
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